Floripa – 5 dicas

Morro da Lagoa

Quando eu era bem pequena, a onda de violência no Rio estava muito grande e a família do meu padrinho acabou sofrendo com ela. Quando chegou a um nível insuportável, a ponto de colocar a vida deles em risco, resolveram se mudar. E foi assim que conheci Florianópolis.

No começo a passagem de avião era caríssima, por isso íamos de carro. Saíamos de manhã bem cedo, parávamos no meio do caminho (se tivéssemos que visitar família, parávamos em São Paulo, mas normalmente parávamos mais para baixo e uma vez paramos em Curitiba) para dormir e continuávamos viagem no outro dia bem cedinho. Lembro que uma vez fizemos o caminho todo em um dia só, mas foi tão cansativo que não valeu a pena, principalmente para os motoristas.

Conforme fui ficando mais velha, minhas idas à Floripa diminuíram até cessar. Esse ano voltei lá depois de 13 anos e pude constatar que, apesar das mudanças (a cidade cresceu muito!), aquela terrinha continua sendo um pedacinho do paraíso.

1. Santo Antônio de Lisboa

Se você é fã de andar a pé e aprender um pouco mais sobre a cultura do local que está visitando, vale a pena conhecer Santo Antônio de Lisboa. No norte da ilha, Santo Antônio é um distrito pitoresco, que lembra bastante Paraty. É muito gostosinho de andar pelas ruelas vendo o artesanato e as manifestações do folclore local que volta e meia acontecem por lá. E se você é fã de ostra ou frutos do mar em geral, meu amigo, aí você está mesmo no lugar certo!

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Los Angeles – 5 dicas

placa-hollywood

Eu nunca fui dessas que ficava doida em pensar nos Estados Unidos, nem das que acham que lá é um paraíso na Terra. Mas aí eu conheci a Califórnia e meu coração bateu mais forte por esse canto do Oeste onde o sol brilha mais e faz gente que é movida a energia solar como eu, ver seu coração bater mais forte. Pretendo falar um pouco mais sobre esse estado americano, sobre Santa Mônica, San Diego, sobre a Disneyland (primeiro parque idealizado por Walt Disney), mas hoje vou fazer um post rápido sobre Los Angeles.

E como todo mundo sabe que Los Angeles é o templo do cinema, é difícil dar dicas sobre a cidade sem percorrer esse mundo. Então vocês vão notar que muitas das dicas estão ligados a esse universo. Vamos a elas?

1. Tour Warner

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Se você é uma pessoa que ama filmes e séries de TV, o Tour Warner fica em Burbank (cidade vizinha a Los Angeles) e é totalmente imperdível (há também o tour nos estúdios Universal, dentro do parque na Universal City, mas é mais uma atração do que um tour, como esse da Warner; e também há o da Paramount, que eu ainda não fiz). Lá a gente passeia pelos cenários de vários filmes e séries e eles vão explicando como as coisas funcionam nos bastidores e você fica sabendo de segredinhos que nunca imaginava. Também há um museu de carros e outro de figurinos, este com um andar todinho dedicado a Harry Potter (o museu de roupas não pode ser fotografado, segundo uma das nossas guias por conta de direitos autorais, já que nem todos os personagens foram criados pela Warner, e aí pra não proibir algumas roupas e liberar outras, decidiram proibir todas – câmeras e celulares são todos “confiscados”, trancados e entregues apenas na saída do museu). Para os fãs de Harry Potter, no andar dedicado ao personagem há um banquinho com o Chapéu Seletor, que você usa e te diz a casa para onde você iria se estivesse em Hogwarts. Mas pra mim, o ponto alto foi visitar o estúdio Friends, onde anteriormente foi gravado Full House, e no final rola até uma visita ao Central Perk!

2. Comida

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A maior dica de comida que eu dou para todo mundo que vai para a Califórnia é sempre a mesma: In-n-Out. É uma rede de fast-food que só tem na costa oeste, e que além de ter lanches deliciosos e imensos, ainda é super barata (lanche, batata e refri gigantes por cerca US$5) . Tem até um menu “secreto”, que não existe lá nos quadros com cardápio do In-n-Out, mas que existe no site e que se você disser que quer algum lanche do menu secreto, eles te servem prontamente e com o maior sorriso no rosto, por ser alguém que conhece o “segredo” deles. Tem também milk-shakes de tomar rezando. Muito bom, o Thiago sempre pede o de baunilha e eu o de chocolate. Nham, nham… Aquele tipo de dica BBB (boa, bonita e barata), sabe?! 😉

3. Compras

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Tenho duas boas dicas de compras para quem está em Los Angeles: o Hollywood and Highland Center e o Glendale Galleria. Em ambos tem todas aquelas lojas que a gente ama: MAC, Forever 21, Macy’s, entre várias outras. Em  Glendale Galleria tem uma loja oficial da Disney, que dá pra você se jogar em todos os produtos licenciados, pelúcias e afins. Perdição das perdições para quem tem um pendor “becky-bloomzístico” como eu.

Ah, uma curiosidade: um monte de gente acha que Glendale, Burbank e Beverly Hills são bairros de Los Angeles, mas não são, são outras cidades. São menores e coladas em Los Angeles – até por isso todo mundo pensa que é bairro. Já Hollywood é um bairro, mas tem status de cidade, com um prefeito para fins cerimoniais e tudo mais, inclusive com leis próprias. Por exemplo, em Los Angeles é proibido fumar em qualquer tipo de lugar público, não pode fumar nem na rua. Já em Hollywood pode. Essa “emancipação” é bem recente, de 2006 e foi uma obra do “governator” Schwarzenegger.

4. Hollywood Boulevard

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A Hollywood Boulevard tem tudo aquilo que a gente sempre vê sobre Hollywood: a Calçada da Fama, o Kodak Theatre, o Chinese Theatre, o Hollywood and Highland Center (que eu falei no tópico de cima), o Disney Theatre, o Museu de Cera Madame Tussauds Hollywood (que é muito mais focado em atores e em cenas de filmes e séries) e mais vários outros museus: o Believe it or Not, o Museu do Guiness, um outro museu de cera, bem anterior à chegada do Madame Tussauds em Los Angeles. Lá também você vai encontrar um monte de loja de souvenirs (tem Oscar pra tudo quanto é coisa, eu comprei até um de Pet Sitter pra dar pra minha cunhada, que sempre fica com as cãs quando eu viajo) e tem várias lojinhas mais populares – tipo 25 de março (eu comprei uma mala Samsonaite imensa por US$70). Lá também tem aqueles sósias de Marilyn, Chaplin, Elvis, Michael Jackson que a gente sempre vê – só que se você tirar foto com eles, eles vão pedir 10 ou 20 dólares, por isso, tire foto deles de longe.

5. Observatório e Placa de Hollywood

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No Griffith Park fica o Griffith Observatório e de lá você tem uma bela vista pra tirar fotos (de diversos lugares) da placa de Hollywood. Muitas pessoas vão para o parque para fazer piquenique e sempre tem famílias inteiras passeando por lá. No observatório (que tem entrada gratuita) tem telescópio e todo uma aula de astronomia através de paineis, murais, maquetes e afins. Vale muito pra quem gosta de ir a planetários, e no terraço do observatório você consegue ter uma vista completa da cidade de Los Angeles, de tudo quanto é canto. Mas o que mais vale é que você não pode ir a Los Angeles e voltar sem tirar uma foto da placa, né! Caso você queira, de lá do parque saem várias trilhas que te levam ainda mais perto da placa, é só ter disposição e tempo para fazer uma bela caminhada. Por isso, não dá pra perder.

E em breve eu volto com um post mais detalhado sobre a Califórnia e contando porque esse estado americano ganhou o meu coração. ❤

O Rio e o carnaval de rua…

carnaval - dois irmãos 2

Enquanto as escolas de samba não invadem a Sapucaí, a festa do carnaval de rua já começou no Rio de Janeiro. Logo no primeiro dia do mês, a largada foi dada com o tradicional desfile de pré-carnaval do Cordão da Bola Preta, que juntou 100 mil alegres foliões na Avenida Rio Branco, no centro da cidade. No último final de semana 118 blocos desfilaram pelo Rio, levando milhares de pessoas às ruas. Nos 4 dias de festa, serão 492 blocos registrados pela Prefeitura e uma previsão de 6 milhões de pessoas – 67 blocos e 700 mil pessoas a mais que em 2012.

Este ano, o lema do carnaval de rua é “Cada vez melhor” e melhorias de fato foram feitas para que a festa ocorra sem maiores problemas. Segundo a Prefeitura do Rio, neste ano serão 16.200 banheiros químicos e 1.200 controladores de tráfego. Ainda para ajudar o trânsito haverá três paineis de LED, 350 galhardetes de sinalização, 200 cones e oito carros para assessorar a Secretaria de Ordem Pública. Já a Antarctica, cerveja patrocinadora oficial do carnaval de rua do Rio, vai ajudar com 140 coletores de lixo contratados e a coleta de resíduo sólido em 30 blocos.

Apesar de todas essas intensificações no trânsito, a dica de quem é íntima dessa festa é: deixe o carro em casa! Além de ser difícil achar uma vaga, as ruas estarão cheias (o que aumenta o risco de furto e danos ao veículo) e você ainda pode ficar preso no meio de um bloco. Acredite: não é legal ver aquela quantidade de gente balançando o carro e você dentro sem poder fazer muita coisa a não ser sorrir. Já demorei 1h30 pra cruzar um espacinho de nada porque esqueci que teria bloco ali e caí bem dentro dele. Então não se arrisque… Os transportes públicos estarão cheios, mas funcionarão 24h e acabam virando uma diversão à parte. Sem contar que você poderá beber sem culpa! Continuar lendo

Salvador dos meus afetos

Píer Salvador - Enseada dos Tainheiros - Ribeira

Píer Salvador – Enseada dos Tainheiros – Ribeira

Tayra provocou: “O que você faria, se estivesse em Salvador, pra escapar das mesmices momescas?”. Voltar ao livro de Audálio Dantas, “As duas guerras de Vlado Herzog. Da perseguição nazista na Europa à morte sob tortura no Brasil”, não vale. Nem retomar “Noitada de Samba. Foco de Resistência”, muito menos “Tirant lo Blanc”, de Joanot Martorel, que o incansável Cláudio Giordano traduziu do catalão esse precursor dos romances de cavalaria. Isso posso fazer em outras ocasiões. Então, encaremos o desafio.

Se não tenho pra onde correr, posso buscar as praias, cuja frequência cai nessa época e ficam mais agradáveis. Não estou falando do Porto da Barra, nem de Ondina, perto demais dos circuitos da zoada trieletrizada. Quer saber de uma: pegaria o carro, pois essa levada Estradeira é pensada da perspectiva de quem está motorizado, e vou passear os olhos nas belezas da Península Itapagipana. Pra quem não sabe, fica na Cidade Baixa.

O ponto de partida é a Ribeira, onde deixo o carro estacionado. Uma curta caminhada para uma espiada no velho aeroporto, digo, hidroporto do tempo em que os hidroaviões Catalina “amerrisavam” por ali (foi construído no final da década de 1930). Cercado de embarcações a vela ou motorizadas a balançar nas águas, a estrutura arquitetônica da estação aeroportuária orna a Enseada dos Tainheiros. Na meninice, dali avistava as palafitas dos Alagados, a Ilha de Joanes, tudo engolido pelos aterros e transformado em bairros populares. Do outro lado da rua tem uns palacetes de famílias que já mandaram na economia baiana, como os Amado Bahia. Vale o olhar.

Igreja da Penha

Igreja de Nossa Senhora da Penha de França

Uma escala na Sorveteria da Ribeira continua sendo uma boa pedida. O estabelecimento ganhou concorrentes, perdeu muito de sua saborosa inocência, em nome da escala de atendimento, mas ainda tem seus atrativos. Onde saborear um sorvete de castanha de caju? E o de jenipapo, de tapioca, jaca, mangaba, umbu, cajá, tamarindo, amendoim e outras delícias geladas que não frequentam a maior parte das sorveterias brasileiras? Podem pedir duas, três, quatro bolas de sabores diferentes, sem pensar no ganho de peso. A compensação vem logo. Me aguardem…

Refrescado, atravesso a praça e vou à estação das lanchas. Passo pro outro lado da enseada para apreciar Salvador do ponto de vista de quem está no subúrbio de Plataforma. A velha fábrica, do outro lado da linha do trem, domina a visão do subúrbio ferroviário que já abrigou o operariado da indústria têxtil. De volta a Ribeira, desembarco e pego a calçada direita, em direção à Igreja de Nossa Senhora da Penha de França, ligada por um passadiço ao Palácio de Verão dos Arcebispos, construção do século XVIII. Continuar lendo

Rio-São Paulo pela Rio-Santos

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Essa viagem começou na verdade partindo de São Paulo, já que a Tayra mora em São Paulo, e saiu de lá, rumo ao Rio de Janeiro, para se encontrar com a Laila, que mora no Rio, para realizar a viagem de volta pela Rio-Santos.

A partida de São Paulo foi pelo caminho tradicional, com uma leve alteração, já que começamos a rota pegando a a Ayrton Senna (que a Tayra insiste em chamar de Trabalhadores – nome antigo da rodovia) ao invés de ir direto pela Dutra, o que torna o caminho um pouco mais longo, porém mais agradável e fluido. Isso porque a estrada é melhor (há alguns anos a Ayrton Senna/Carvalho Pinto é eleita como melhor rodovia do Brasil) e a velocidade limite é mais alta (120 km/h na maior parte da estrada, ao passo que a Dutra chega, no máximo, a 110 km/h), além de a Dutra ser muito mais cheia de caminhões. Por isso, seguimos na Ayrton Senna/Carvalho Pinto até Taubaté, onde somos obrigados a pegar a Dutra pra continuar a viagem para o Rio de Janeiro.

A Dutra também é um caminho muito tranquilo, porém na maior parte da estrada ela tem apenas duas faixas. Ainda assim é uma estrada que não apresenta maiores problemas pra quem a encara. É um trajeto que a Tayra já está mais do que habituada a fazer e sempre faz sem maiores dores de cabeça. Nessa viagem especificamente, como já contamos antes, enfrentamos uma tempestade daquelas, com direito a chuva de granizo e aquaplanagem. A região de Rezende é uma que, em determinadas épocas do ano, sempre chove, mas é uma área plana, quase sem curvas, o que a torna menos perigosa.

Esse caminho tinha um trecho muito perigoso que era o da Serra das Araras, por conta disso a Nova Dutra super lotou a região de radares com velocidade 40 km/h, você não passa mais de 2 quilômetros sem que haja um radar. Isso fez com que essa área, com curvas que formam verdadeiros cotovelos, tenha se tornado muito mais segura. O trecho final de São Paulo, logo após a passagem pela cidade de Cachoeira Paulista tem muitas curvas e uma boa alternância de subidas e descidas, o que faz com seja um trecho que necessite de um pouco mais de atenção. E pra quem sai (ou chega) de São Paulo direto pela Dutra, ainda na Grande São Paulo, há o trecho de Arujá, repleto de curvas, que é um pouco perigoso. Fora isso, a estrada é quase um retão e não oferece grandes riscos.

A Rio-Santos

O trajeto de volta teve 579 quilômetros, porém, na maior parte do trajeto, você anda a 60 km/h, tendo trechos em que não se passa de 40 km/h, o que torna essa viagem muitíssimo mais demorada do que a habitual viagem Rio – São Paulo pela Via Dutra. Como saímos do Rio de Janeiro por volta de 14h, e rodamos por mais de uma hora dentro do município do Rio de Janeiro, se a gente seguisse a viagem para conclui-la no mesmo dia, chegaríamos em São Paulo no meio da madrugada. Por isso, desde o princípio a nossa ideia já era pernoitar em Paraty, como contamos aqui, então seguimos com calma, sem nos preocuparmos em vencer um longo percurso num curto período de tempo e nos arriscarmos numa estrada que não comporta uma velocidade muito alta.
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Paraty – 5 dicas

portaldeparaty

Paraty é um dos destinos mais procurados do litoral fluminense, e foi o nosso escolhido para pernoite na nossa viagem do Rio de Janeiro para São Paulo pela Rio-Santos. E aproveitamos para inaugurar um novo formato de post aqui no Estradeiras que é o de 5 dicas – um post rápido, pra quem quer ter uma ideia breve de um determinado roteiro. E como a nossa passagem por Paraty dessa vez foi bem rápida – chegamos num dia por volta de 17h e saímos no dia seguinte na hora do almoço – aproveitamos muito pouco da cidade. Mas isso não significa que não tenhamos algumas dicas sobre o lugar!

1. Hospedagem

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Antes de fazermos a reserva, procuramos resenhas e opiniões em alguns sites de hotéis para encontrar uma pousada barata e que não fosse total furada. Achamos a Pousada do Tesouro e acabou sendo uma ótima pedida. Pertinho do centro histórico, com café da manhã incluso e estacionamento (muito importante para um Estradeiro). Outro fator importante é que, da rua principal tem placas sinalizando como chegar na pousada, o que ajuda (e muito) os motoristas que não conhecem a área (como era o nosso caso). A pousada conta com apartamentos quádruplos – como estávamos em quatro pessoas, em muitos casos é preciso fechar dois quartos duplos, pela impossibilidade de hospedar quatros pessoas num mesmo quarto. Para quem viaja em família esse pode ser um fator importante. O quarto é simples e bem confortável -contava com frigobar, ar-condicionado, alguns apartamentos tinham sacada e o principal (no caso de pousadas), tinha banheiro privativo.

2. Comida

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Como já dito antes, essa foi uma viagem express, portanto não tivemos tempo de explorar de verdade a cidade. Mas descobrimos um lugar super gostoso e com o preço em conta. O nome do restaurante é Arte e Sabor e tem comida, pizza, massa, etc. A pizza era individual de massa fina que parecia um biscoitinho. Delícia! Continuar lendo

Aquaplanagem e outros imprevistos na estrada

aquaplanagem

Na última semana, eu e Laila fizemos a nossa primeira viagem pensada especialmente para o Estradeiras. O post tá nascendo, mas como passamos por alguns “obstáculos” que acontecem na vida de qualquer estradeiro, achei bacana fazer um post sobre esses perrengues e como devemos encarar cada uma dessas situações sem se render ao pânico.

A viagem começou com um trecho São Paulo-Rio, via Dutra, para que eu fosse me encontrar com a Laila no Rio de Janeiro. Nesse primeiro trecho eu estava acompanhada pelas minhas primas Lana e Raíssa, de 13 anos de idade. A Raíssa foi a minha co-piloto nesse primeiro trecho, e se saiu muitíssimo bem no papel. Ela serviu também como meus dois olhos extras num dos momentos mais tensos da rota (e também de toda a minha vida de estradeira). Quando chegamos em Rezende (RJ), logo depois de passarmos pela Academia Militar das Agulhas Negras desabou o maior temporal. Desses em que nos sentimos como se tívessemos entrado num túnel de nuvem negra, recheado por uma cascata de raios, e um belo temporal de granizo. Em questão de poucos minutos a visibilidade despencou pra zero. Todos reduziram muitíssimo a velocidade, e eu estava doida pra achar um lugar pra parar até que o temporal diminuísse. O único porém é que o posto mais próximo estava exatamente no ponto da estrada em que eu estava e como eu tava na faixa da esquerda, só se eu fizesse um L na pista para dar tempo de pegar o acesso. Ou seja: não deu…

Segui mais alguns metros, mas estava inviável continuar na estrada. Acabei fazendo algo não muito recomendável, que é parar no acostamento, com o pisca-alerta ligado. Isso porque muita gente, erroneamente, liga o pisca-alerta e segue andando com velocidade reduzida em situações de baixa visibilidade (como chuva e neblina). Por isso, o fato de ficar parada, ainda que sinalizando isso, representava um risco para mim e para as minhas primas. Liguei o ar-quente voltado para o vidro, esperei que desse uma bela desembaçada, e poucos minutos depois voltei pra estrada, pela faixa da direita, com uma visibilidade um pouco melhor, numa velocidade bem mais baixa e cautelosa.

Passados menos de 10 minutos, a chuva de granizo cessou, mas continuava uma bela enxurrada, ainda que mais fraca, e como quase não tinha carro na estrada – porque que pode foi parando – resolvi seguir viagem. Assim que a visibilidade voltou a ser plena, voltei para a faixa da esquerda, ainda que com velocidade abaixo do habitual (seguia a cerca de uns 70 km/h). Tudo voltou a correr bem e era apenas mais um trecho de estrada sobre chuva, até que, eis que surge na minha frente aquela temida lâmina de água, no exato momento em que eu passava ao lado de um caminhão.

Por sorte, os meus 13 anos de volante contaram bastante, muito mais do que o reflexo que o susto causa quando estamos diante de uma aquaplanagem. Isso porque a reação imediata é atolar o pé no freio, coisa que eu não fiz. Voltei o volante para o lado contrário ao que a lâmina me puxou, e tentei deixar o carro o mais reto possível. Até que a situação voltasse a estar totalmente sob o meu controle. E esse foi o motivo inspirador para que eu escrever esse post. Por isso vamos a algumas dicas importantes para os estradeiros que podem se deparar com situações perigosas ao longo de sua viagem: Continuar lendo